Autoconhecimento e liberdade

Atualizado: Jun 18

A moda por muito tempo foi vista como uma forma de se encaixar em padrões, de fazer parte, de pertencer. Desde as décadas passadas, quando era possível separar as pessoas por classe social simplesmente pelo que elas vestiam, até os mais diversos grupos, como os hippies, punks, grunges e etc - era possível saber a qual deles se pertencia somente através do visual. Com isso, era possível deduzir também outros fatores, como seu ideal político, o que ouvia, o que acreditava, o que comia, com quem andava. Com a democratização da moda e o avanço do fast-fashion, parte deste conceito caiu por terra: as pessoas, agora, independentemente de seus estilos de vida, vestiam-se de forma muito parecida. A moda pronta, que em algum momento foi vista como forma de libertação de alguns grupos sociais, também foi a responsável por padronizar e unificar estilos, gostos, identidades. De forma inversamente proporcional, quanto mais ofertas se tinha, menos a essência era percebida. O consumo teve grande aumento com essa moda rápida, acessível e descartável. Ninguém mais se preocupava tanto com o que estava comprando, pois era fácil, barato e prático adquirir novas peças.


As pessoas foram se sentindo perdidas em meio a tanta oferta e o fast fashion foi perdendo sua força. Elas não sabiam mais quem eram, do que gostavam, no que acreditavam. E a maré começou a mudar.


Entender exatamente quem eu sou, o meu corpo, minhas curvas, minhas cores e meu estilo se revelaram a verdadeira libertação. Libertação de uma moda que unifica, que oprime e que dita regras. Agora, eu faço as minhas regras, pois eu sei exatamente o que me faz bem. As ofertas continuam surgindo, mas não me provocam mais como antes: quando eu sei para onde eu quero ir, o caminho fica mais leve, mais óbvio, menos dúbio. Ao invés de olhar para o mundo, eu volto minha luneta para dentro de mim. Eu provoco esse novo olhar para mim mesma, quem eu sou, no que eu acredito, na imagem que eu tenho de mim mesma e que eu quero que o mundo também veja. O processo de autoconhecimento faz parte de uma moda pensada, consciente e presente. Aqui e agora. Mais como um reflexo de quem eu sou, e menos como um reflexo do que o mundo quer que eu seja. Ninguém mais me diz o que eu posso e o que eu não posso, o que eu devo desejar, o que eu quero consumir, o que devo transmitir, o que é ou não é para mim. Eu já sei. Eu voltei o olhar para mim. Consciente. E assim um mundo todo novo se abriu.



Camilla




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